Há 120 anos atrás nascia Fernando Pessoa, poeta português.
No quarto passou noites debruçado à secretária. Confundimo-lo com os livros, papéis, também lápis minúsculos que só ele consegue manusear. O cinzeiro cheio de pontas de cigarro. Escreve, compulsivamente...escreve, vive personagens que só ele entende, às vezes triste, às vezes só...às vezes no meio do mundo que procura entender!
Não há palavras para descrevê-lo, apenas um turbilhão de ideias que surgim e criam cor, dor e alegria!
É ele Fernando Pessoa
E este é o meu poema eleito!
Não digas nada!
Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender -
Tudo metade
De sentir e de ver…
Não digas nada
Deixa esquecer
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada…
Mas ali fui feliz
Não digas nada.
Fernando Pessoa
16 comentários:
Famel, parabéns pela lembrança! Que vivam hoje, e sempre, na memória de todos, os nossos poetas e a sua maravilhosa poesia!
Liberdade
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
Particularmente gosto do poema que, salvo erro, Fernando Pessoa deicou à mãe:
Ó Terras de Portugal
Ó Terras onde eu nasci
Por muito que goste delas
Gosto muito mais de ti
É-me sempre difícil ler Pessoa e mais difícil ainda falar da sua obra.
O Infante
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
Fernando Pessoa, in Mensagem
Mar Português
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nao é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa, in Mensagem
Partilho um dos poemas da minha preferência
Meu coração tardou
Meu coração tardou. Meu coração
Talvez se houvesse amor nunca tardasse;
Mas, visto que, se o houve, houve em vão,
Tanto faz que o amor houvesse ou não.
Tardou. Antes, de inútil, acabasse.
Meu coração postiço e contrafeito
Finge-se meu. Se o amor o houvesse tido,
Talvez, num rasgo natural de eleito,
Seu próprio ser do nada houvesse feito,
E a sua própria essência conseguido.
Mas não. Nunca nem eu nem coração
Fomos mais que um vestígio de passagem
Entre um anseio vão e um sonho vão.
Parceiros em prestidigitação,
Caímos ambos pelo alçapão.
Foi esta a noosa vida e a nossa viagem.
Fernando Pessoa
Famel é curioso saber que este é o teu poema eleito, tendo em conta que tu és uma tagarela lógicamente não faria muito sentido lol
Não sou tão tagarela assim.
Tento ser atenta e "tagarelo" quando acho que vale a pena.
Mas apreciei o teu comentário.
Já agora quem foi o anónimo que respondeu por mim?
Como diz o naifas eu gosto de falar, portanto ainda gosto de ser eu a responder por mim.
Continuo anónimo, mas fui eu.
E respondi porque quem falou em poema de eleição fui eu ou não será assim...
Mas Famel não sei quem és mas se és "tagarela" continua "tagarelando" porque aprecio a tua forma de estar no blog
Não sei se será assim anónimo. No post o poema postado é o eleito da Famel, e foi a ela que me dirigi.
Se este também é o teu poema eleito parabéns.
Mas eu referia-me mesmo à famel que conheço bem, quanto a anónimos não os conheço, concerteza terão um nome todos os anónimos que andam por aqui, mas enquanto continuarem a ser anónimos não os conhecerei.
Este poemao "Meu coração tardou" fui eu que o postei.
Continuo anónimo porque o teu nome também não é "Naifas" ou será?
Aprecio a "Famel" mesmo sem a conhecer.
Quanto a ti não te zangues comigo por favor... Fico triste pelo teu radicalismo "enquando anónimos não os conhecerei" mas aceito, perfeitamente esta atitude.
IMORTALIDADE
Eu disse-vos um dia
"morrer é só não ser visto"...
por isso
deixo-vos isto:
Poemas, palavras ditas
pelo fogo que esvrevi.
Hoje, mesmo que não pareça,
continuo aqui,
passeando, fumando, bebendo,
rasgando o caminho
que escolhi.
Segundo
O Das Quinas
Os Deuses vendem quando dão.
Compra-se a glória com desgraça.
Ai dos felizes, porque são
Só o que se passa
Baste a quem baste o que lhe basta
O bastante de lhe bastar!
A vida é breve, a lama é vasta:
Ter é tardar.
Foi com desgraça e com vileza
que Deus ao Cristo definiu:
Assim o opôs à Natureza
E Filho o ungiu
Fernando Pessoa
Naifas:
O anónimo que andou espretitando e falando "pouquinho" porque é sempre "muito pouco" ... de Pessoa foi a Maria Ideias.
Tu, Naifas, quem és?.
Tenho uma curiosidade enorme em te conhecer.
Aliás gostaria de me cruzar com esse grupo ... que sinceramente ... acho o máximo.
Estou quase na 3ª idade( em definitivo)mas foi muito bom ter entrado neste blog. Precisei fazer um trabalho e queria documentar a terra onde nasci. O trabalho está concluído e graças a vocês foi considerado um dos melhores, se não o melhor. Pode ser que um dia to mostre.
Um beijo para ti
Maria Ideias
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