sábado, dezembro 16, 2006

Lufa-lufa

Por estes dias os campos ganham vida. Pela manhã, como formiguinhas que trocam o aconchego do formigueiro pelas geadas, muita gente aproveitando os raios de sol que nos acompanham, dirige-se aos olivais, para a colheita da azeitona, uma das culturas agrícolas com maior tradição/expressão na aldeia.

De todo o lado surge alguém bem agasalhado, com uma escada, toldos, sacas, cambos, cestas ou baldes, a pé ou em veículos a motor. Estes seguem o seu caminho e de repente o silêncio regressa à aldeia.

Nas fazendas, não se vê grandes ranchos de pessoas, abundam os duos e os trios. Poucos vizinhos se avistam. Muitas azeitonas morrem já no local onde nascem. As silvas e as giestas avançam. Mas ainda se encontram pessoas que apesar da idade não desistem de ir apanhar a sua “zeitona”, como se fosse a coisa mais preciosa desta vida.

Pelas 17 horas, antes que a escuridão esconda o horizonte, regressam com o fruto do dia de trabalho. Nessa hora volta a haver um certo movimento de pessoas e utensílios, que nos dá de novo a ideia de ser muita gente. A noite cai e o silêncio domina de novo, até que o dia amanheça...
Algumas imagens
A caminho!
8:40 - As chaminés já fumegam

Que friiiooo!!

Aqui estão elas!


Do alto duma oliveira tb se vê Sobral!

A apanha

Crivagem


Prontas pra seguir pró lagar

De lagares falarei outro dia e as minhas mãos não mostro!:-)

9 comentários:

virgílio neves disse...

Bela reportagem Serranita,foste ás Vergadas apanhar azeitona ? Há 2 fotas tiradas de lá?...

famel disse...

Eu consegui livrar-m...m c tanta azeitona tv no proximo fds tenha k gramar!

Serranita disse...

Virgilio, isso é que é dominio da terra!
É verdade, a 2 foto é a caminho das vergadas, a 4, 5 e 6 (aos vizinhos) é já lá.
É verdade, depois de alguns anos voltei á azeitona...

pobre disse...

Serranita dos 4 aos 14 anos corri esses cantinhos todos :- montes, vales, caminhos e veredas...quando aí volto,ponho-me a contemplar e recordar. É OPTIMO.

Sobralfilho disse...

Serranita,
O frio, as mãos sujas já não importa. O facto é que trabalhaste bem: seis sacas, (?) pelo menos (parabéns). O importante é que agora no lagar a funda (palavra mágica) seja óptima.

Mariita disse...

A minha gratidão para todos os que resistem a deixar desertificar este cantinho e conseguem ainda conservar e mostrar a tradição. São eles os verdadeiros heróis deste País e mereciam muito mais apreço, pelos poderes instituídos.
Parabéns Serranita pelo belo trabalho!

Moka disse...

Serranita esta é uma bela reportagem. Após ler este texto não posso deixar de ficar triste, é bem notório, que o Sobral está a sofrer com ao grave drama da desertificação.

É injusto que isto esteja acontecer, para quem viu a aldeia, com a escola a igreja as ruas e as tabernas a transbordar de gente, e actualmente não vê-mos “ninguém”, certo será que em poucos anos, vai ser mais um local de breve passagem para muitos. Espero que se tomem medidas que haja iniciativas, para devolver vida a estes paraísos.

Dá muita pena ver esta realidade, ainda me recordo, quando era miúdo, nesta época, todos os olivais recebiam a visita dos proprietários. Era novos e “velhos” todos juntos na azáfama da apanha da azeitona, apesar do frio, era uma alegria, não se deixava uma azeitona que fosse na oliveira.

virgilio neves disse...

Serranita, por lapso o m/ comentário,(acima) dos 4 aos 14 anos...saiu c/ o com o nik pobre.

Serranita disse...

Ai o Virgilio que se disfarçou de pobre! :-) É o que dá qd mais de uma pessoa usa o mesmo pc.

Obrigada a todos por nos lerem e enriquecerem os posts através das achegas nos comentários.